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A VIDA DAS PROFISSIONAIS DO SEXO: FRUSTRAÇÕES E SOFRIMENTO PESSOAL.

A prostituição é um caminho sem volta para um grande número de mulheres que fazem uma opção ou que são induzidas à sua prática pela falta de condições de vida. Entrar é fácil, basta ser nova e bonita...

Atraídas pela possibilidade de obtenção do conforto que nunca tiveram, mulheres provenientes de classes sociais menos favorecidas percebem na prostituição um meio de adquirirem o que nunca tiveram.

O abandono da atividade em muitos casos torna-se impossível, uma vez que se trata de um círculo vicioso em que comportamentos são adotados. Os vínculos familiares, em função da migração ou do preconceito, são rompidos, perdendo a pessoa outras referências senão aquelas do próprio meio.

O instrumento mais usado pelos exploradores da prostituição para intimidar as mulheres e mantê-las na atividade é o medo das humilhações e da exposição pública. Todas ficam dominadas. Primeiro, porque se viciam em ter dinheiro todos os dias; depois são manipuladas através do medo de que a família, os amigos e senhorios dos seus aluguéis saibam qual é sua profissão. Com esse medo e vergonha, acabam cedendo à chantagem e sendo exploradas por várias pessoas. Não tendo estudado, a procura de emprego que possa satisfazer a um padrão de vida já alcançado torna-se impossível, principalmente com a crise existente em nosso país.
 
Existem grandes riscos na prática da prostituição. A constante possibilidade de contaminação pelo vírus HIV é o principal deles. A exposição excessiva favorece a ocorrência freqüente de casos de violência, principalmente sexual e de espancamentos ou até mesmo de extermínio.
Nos hotéis de alta rotatividade do centro da cidade, existem cerca de 1.860 mulheres trabalhando em condições inadequadas. Apesar de pagarem religiosamente as diárias, são responsáveis, no início de cada turno, pela faxina em seus quartos e pelo fornecimento das roupas de cama, dos preservativos e demais utensílios de higiene.
 
Nenhuma pessoa se hospeda em um hotel para passar férias e, pagando pelo serviço, fica responsável pela limpeza, pelo fornecimento dos utensílios e pela colocação dos materiais de higiene. Nosso trabalho é desenvolvido no escuro, quase sempre provocando, a longo prazo, problemas visuais.
 
Os homens que freqüentam a prostituição, nossos fregueses, quase sempre não se enquadram na condição das pessoas normais. Em nossos quartos passam deficientes físicos, doentes mentais, viciados, foragidos de penitenciárias e cadeias, bêbados e outros tipos de pessoas não aceitas em nenhum lugar da sociedade. Apesar disso, somos nós as responsáveis pelo atendimento dessas pessoas, não podendo recusar os convites formulados, sob o risco de sermos agredidas ou de perdermos o local de trabalho.
 
A tão badalada vida fácil é constituída por jornadas que facilmente ultrapassam 12 horas diárias. Normalmente inicia-se às 8 da manhã, terminando às 5 da tarde. A maioria das companheiras, principalmente as não naturais de Belo Horizonte, possui jornada de 24 horas, morando no próprio hotel. Muitas vezes, mesmo estando menstruadas, temos que pagar a diária. Aos sábados, domingos e feriados, independente da vontade de permanecermos com nossas famílias, também somos obrigadas a pagar diárias, mesmo não comparecendo.
 
As mulheres que não têm o dinheiro para pagar o absorvente interno, as camisinhas e o gel, são obrigadas a improvisar esses utensílios com pedaços do colchão, saquinhos de chup-chup, vaselina e outras coisas, ficando doentes de infecção uterina.
 
Uma mulher de 18 a 22 anos faz aproximadamente 40 programas por dia, com todos os tipos de homens, e chega até a usar a xilocaína para anestesiar os órgãos genitais. Dependendo da idade, não fatura nem para comer um prato de comida. Independente das condições climáticas, temos que trabalhar nuas, e às vezes a solução para o nosso desespero é a droga e o álcool, como forma de mascarar nossas angústias e sofrimentos. Complicações ginecológicas fazem parte de nossa rotina, porém não somos recebidas adequadamente pela rede pública de saúde.
 
Quando a mulher é contaminada pelo vírus HIV, é prontamente colocada para fora do hotel como um animal, sem direito a nada, não tendo a quem recorrer. A discriminação é tanta que até mesmo um animal possui um órgão responsável por sua defesa (Sociedade Protetora dos Animais). Nós não contamos com nenhuma lei para nos proteger.
 
As profissionais do sexo que não se adaptam à forma de trabalho imposta sofrem graves sanções, sendo negado a elas o direito de trabalhar e, em casos extremos, a sua integridade física. Grande parte da força policial ainda não nos considera cidadãs, diferenciando o tratamento dispensado a outras pessoas.
 
Estamos sendo exploradas, não só pelas diárias caras, pagas regularmente e de forma diferenciada dos inquilinos comuns, mas porque não existem contratos formais, normas de regulamentação ou um local onde possamos apresentar nossas queixas.
Os órgãos públicos e a sociedade nos excluem, ignoram que somos responsáveis pela manutenção do sistema sem muita criminalidade. Somos de utilidade pública, atendemos os tarados, assassinos, mendigos, foragidos e pervertidos, para que eles não façam isso com suas famílias.
Em nossa atividade profissional não existe carinho, afeto nem beijos; os contatos são mecanizados, repetitivos, desprovidos da pessoalidade. Muitas companheiras não suportam a pressão e acabam se suicidando ou no hospício. Outras, na velhice, morrem na miséria ou embaixo de um viaduto, na mendicância.
 
Nossa participação nesse projeto de pesquisa, independente dos riscos referentes à alta exposição pública, é uma forma de alertar a sociedade sobre nossa situação, evitando que outras mulheres sejam submetidas a esse mesmo pesadelo. Do sonho e do desejo inicial, restaram angústias, preocupações e dores, loucura e miséria.
 
Da mesma maneira, gostaríamos de alertar as autoridades médicas e policiais de nossa cidade. No primeiro caso, pela inexistência de uma política de prevenção contra a Aids, com campanha de esclarecimento sistemático e distribuição gratuita de preservativos, assim como locais de coleta e exame de sangue que não discriminem as “profissionais do sexo”, gratuitamente. Junto às autoridades policiais e à justiça, solicitamos igualdade. Somos cidadãs brasileiras, responsáveis e trabalhadoras, portanto merecemos os mesmos procedimentos e atenção dispensada a outros cidadãos.
 
Não mais aceitaremos sermos tratadas como cidadãs de segunda categoria, relegadas ao silêncio ou ao esquecimento. Nos inúmeros contatos com Dona Helena Grego aprendemos que não existe cidadã de segunda categoria, somente brasileiros, iguais, dignos do mesmo tratamento e direito. 
 
 
 
 
Caderno de Debates Plural
Março/1999,Pg.17-18

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