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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Mulheres abordam tema do Tráfico de Pessoas em livro feminista

A obra é a primeira publicação do Forito, como também é chamado o Fórum Cone Sul, e traz depoimentos, entrevistas e artigos sobre a participação jovem e feminista, no enfrentamento das desigualdades de gênero.

Em oito anos de caminhada como espaço de articulação, encontro e troca de ideias, entre jovens mulheres feministas, o Fórum Cone Sul de Jovens Mulheres Políticas lançou, no ano passado, o livro "Forito - Jovens Feministas Presentes", como resultado de suas discussões.

A obra é a primeira publicação do Forito, como também é chamado o Fórum Cone Sul, e traz depoimentos, entrevistas e artigos sobre a participação jovem e feminista, no enfrentamento das desigualdades de gênero. Um dos destaques do livro é o capítulo "Jovens Mulheres discutem tráfico de pessoas".

Segundo uma das organizadoras da publicação, a pedagoga Raquel Souza, o Forito é um espaço de organização e articulação das mulheres que atuam em movimentos feministas, e que se juntam, uma vez por ano, para discutir temas de interesse das mulheres e que esteja em evidência no cenário nacional. Neste sentido, em meados de 2007, quando o assunto "Tráfico de Pessoas" estava sendo discutido na mídia, o Fórum também inclui a discussão em sua pauta.

"Em 2007, muito se falava sobre o tráfico de pessoas na mídia, em seminários e pesquisas, mas, ninguém dizia quem eram as pessoas traficadas", disse. Então, segundo ela, para que pudessem entender quem eram essas pessoas, as participantes do Forito decidiram realizar dois encontros com especialistas para falar sobre o assunto.

A experiência trouxe alguns aprendizados para o grupo e Raquel se arriscou a dizer que perceberam que é preciso primeiro, criar condições de melhorar a vida econômica das vítimas em potencial, que, geralmente, são pessoas pobres, que vivem em situação de vulnerabilidade social.

"Não basta apenas criar um programa de enfrentamento ao tráfico de pessoas e continuar deixando a vítima em condições vulneráveis", opinou. Ela ressaltou ainda que as políticas nessa área não podem cercear o direito de ir e vir de cada pessoa.

"Falar sobre o tráfico foi algo muito difícil. O artigo no livro foi mais para dizer que o fenômeno existe e alertar. Este tema não teve muito consenso no Forito não, mas, percebemos que é preciso construir políticas de garantias de direitos", declarou.

Mas, mesmo sendo um tema complexo, ela disse que a abordagem foi fundamental, "primeiro, para entender como este crime funciona e também para perceber que o direito da mulher ainda não é pleno", afirmou. Ela comentou que muitas mulheres vivem sem autonomia sobre sua vida, num mundo marcado pelo machismo.

"Discutir o tráfico mostrou o quanto é importante lutar pelos direitos, pois vemos quanto violência existe e quantas violações de direitos acontecem", finalizou. O livro foi produzido pela Fundação Friedrich Ebert, instituição idealizadora do Fórum Cone Sul de Jovens Mulheres Políticas, teve a parceria da Ação Educativa e o apoio do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres (Unifem).

Mais informações pelo e-mail: raquel@acaoeducativa.org.br 

Por Tatiana Félix

Fonte: Adital

29/07/2010

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