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As Garotas do Brasil

Pesquisa traça perfil econômico e psicológico de 7 mil prostitutas de Belo Horizonte e faz estimativa para o país: 70% têm o primeiro grau e 8% ganham mais de R$ 2.700 por mês

Dalila Góes
Da equipe do Correio

O negócio é lucrativo e antigo. Como em todo ramo comercial, ajusta-se aos altos e baixos do mercado. Para garantir lucro maior em época de moeda desvalorizada e muita concorrência,  eliminam-se intermediários. Os rufiões, cafetinas e gigolôs estão a caminho do período jurássico desde que as prostitutas começaram a se organizar e descobriram a autogestão. Autônomas, desenham um novo perfil para a profissão mais antiga do mundo.

 
            Aliás, o nome  prostituta é feio, uma ofensa. As mulheres que têm como produto o corpo e ganham uns trocados para satisfazer a libido alheia, hoje vendem programas. Politicamente corretas, são garotas de programa.

            Estudo inédito da Faculdade de Ciências Humanas da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec) revela o submundo das garotas do Brasil. A pesquisa, que ainda não terminou, traça o perfil econômico e psicológico de cerca de 7 mil prostitutas de Belo Horizonte. Com base em projeções, os pesquisadores mineiros chegam à situação nacional.  Coordenado pelo psicólogo Emerson Tardieu, o projeto Trajetória e Vida das Profissionais do Sexo revela que o país possui um exército de 1,5 milhão de pessoas que cobram para fazer sexo.

            No ramo, o domínio é feminino. São 98% de mulheres e 2% de homens com diploma de prazer garantido ou o dinheiro de volta. Ali também estão prostitutas com 10 anos de carreira, tempo máximo de sobrevida com tudo em cima, moças de calçada, de hotéis, boates e que anunciam em jornais e revistas.

             Na tropa, apenas 4% são analfabetas, pelo menos 70% tem o primeiro grau completo e 8%, cerca de 120 mil, fazem parte do seleto time hoje apelidado de Capitu — uma referência à personagem de Giovana Antonelli na novela Laços de Família, que faz a alegria da rapaziada para poder sustentar o filho pequeno, pagar a faculdade particular, a prestação do apartamento dos pais, comprar roupas caras e, claro, fazer uma poupança básica para o rebento não passar por tudo aquilo que ela passou.
 

Cofrinho 
 
          Para sustentar-se na categoria luxo, essas meninas alimentam o cofrinho com mais de R$ 2.700 por mês. São 218% a mais do que ganhará um futuro analista judiciário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

  ‘‘Não é de assustar que a metade dessas meninas entrem para a prostituição para complementar a renda da família’’, explica Emerson Tardieu. Mas como apenas R$ 2.700 não são suficientes para pagar a prestação da casa própria, escola, fraldas, supermercado, papinhas, leite em pó, roupas de marcas famosas e jantares em restaurantes caros, o psicólogo aposta que as top de linha levam muito mais, algo como R$ 4 mil líquidos, sem desconto de imposto de renda, INSS, taxa para pagamento de sindicato ou plano de saúde.       No clube-das-lulus das altas rodas, não se usam roupas, unhas ou cabelos que, mesmo em pensamento, possam ser associados à vulgaridade das rainhas do baixo meretrício. A zona delas é classe A.

            Pelo menos na semântica do sexo, o apelido dessas meninas é importado.
A curiosidade é que começam a rejeitar o politicamente correto ‘‘garotas de programa’’ e atendem por scorts ou coisa mais simples como hot-call-girls. Traduzindo: garotas ‘‘quentes’’ que esperam sua ligação a qualquer hora do dia ou da noite e estão prontas para satisfazer sabe-se lá o quê. Ser uma hot-girl exige fino trato, cabelo sedoso, pernas de veludo e cintura de Barbie.

            Como aparência não enche barriga, pelo menos por muito tempo, um curso superior ou a intenção de um vestibular garantem pontos extras no quesito ‘‘eu sou mais inteligente que você’’. ‘‘É uma forma delas tapearem, até diminuírem o tamanho da culpa por terem o corpo como um produto. Por isso inventam nomes diferentes e hierarquias para diferenciar pobres e ricas. Fica combinado que as pobres são prostitutas e as ricas não’’, aponta o psicólogo e coordenador da pesquisa, Emerson Tardieu. ‘‘Está certo que não se misturam, não se conhecem, mas, vamos e convenhamos, são todas do mesmo ofício’’, diz.
 
 
História de uma call-girl de luxo

            Chegar até as garotas de programa não é tão fácil como se imagina. Fora do estigma da prostituta comum, pode ser qualquer pessoa. Em 71% dos casos, as famílias não têm nem idéia da atividade econômica que gera vestidos de até US$ 5 mil pendurados no armário. ‘‘Meus pais pensam que trabalho com moda, sou gerente de uma importadora de roupas no bairro chique de Brasília’’, despista Márcia, uma morena de 1,75m, universitária, 59 kg, cara de modelo de revista fashion.

            Aos 25 anos, Márcia chegou no nível máximo da prostituição. Fatura até R$ 5 mil por mês, tem clientes fixos, é mimada com jóias de design exclusivo, freqüenta colunas sociais, vive na ponte aérea São Paulo-Brasília-Rio de Janeiro, conhece gente de novela e, por enquanto, nem sonha em concluir o estágio obrigatório exigido pela faculdade para ganhar o diploma de professora.

  ‘‘São R$ 300 por seis horas de trabalho, quatro vezes na semana. Sábado e domingo, se necessário. Gasto essa quantia em uma tarde no salão de beleza’’, metralha, sem nenhuma modéstia. Para engrossar a pesquisa do professor Tardieu, Márcia, que nem se chama Márcia e nem sob tortura revela o nome verdadeiro, às vezes, só às vezes, sente-se deprimida e estressada com a vida que leva. Rebola para esconder dos pais, não participa da vida social do amigos de universidade, não tem namorado, aliás não fala sobre o assunto, morre de medo da violência de algum cliente, embora não tenha sofrido nenhuma e chegou a contratar um segurança particular para protegê-la.

            A garota está nos 76% que vivem no auge do estresse e depressão computados pela pesquisa. Na vida da superstar do sexo, cuidados são poucos para driblar curiosos e pretensas concorrentes. Amizades, Márcia diz ter apenas duas, mais do que o suportável para uma garota de seu nível. Reprova, sem sombras de dúvidas, o comportamento bonzinho e coitadinho ‘‘daquela prostituta da novela, como é mesmo o nome dela?’’.
            Capitu, na pele de Giovana Antonelli, personagem número um na simpatia popular da novela Laços de Família, parece que aprendeu bem a lição da classe. Prostituta, de jeito nenhum. A moça é gente fina, garota de programa, informa sua empresária, que atende por Fernanda, sem sobrenome. Segundo ela, o público confunde — sem explicar o porquê — garotas de programas, prostitutas, call-girls, hot-call-girls, scorts e afins. ‘‘Se a pesquisa for sobre prostituição, te afirmo que a personagem Capitu não é uma’’, garante.

            Márcia aponta, que Capitu é muito ‘‘amiguinha’’, ‘‘boazinha’’ e que a novela está toda errada. Erro um: não toma cuidados na hora de marcar seus encontros. Márcia garante que isso é coisa primária. Erro dois: envolve-se emocionalmente com dois homens, possíveis namorados. Isso pode atrapalhar os negócios. Erro três: desfila sensualidade em tops, camisetas e chega ao cúmulo de misturar unhas pretas ‘‘vulgaríssimas’’, com maquiagem berrante.

            Erro quatro: a amiga pentelha que também se faz de coitadinha e comenta cada detalhe do programa da noite anterior. Erro cinco: programas só a noite? Está errado. Call-girls atendem a qualquer hora do dia. Erro seis: dizer que para os clientes que tem que voltar para casa cedo porque precisa cuidar do filho. Para Márcia, isso é coisa de iniciante.

            No fim das contas, defende a colega do folhetim e jura que ela não é tão má quanto imagina, mas que apesar de ser ficção serve para desmistificar o ideal de prostituta mesquinha, vulgar, que fala palavrão a cada cinco minutos. ‘‘E eu? Detesto o nome prostituta. Não sou’’, responde, convicta. É o que, então? ‘‘Call-girl’’. (DG)

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