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terça-feira, 6 de março de 2012

Ser Mulher, tornar-se, fazer-se...

Fernanda Priscila Alves da Silva

Ser Mulher. Tornar-se Mulher. Fazer-se Mulher. Ser? Tornar-se? Fazer-se? A pergunta toma conta deste corpo de mulher e não sei ao certo qual pergunta responder primeiro. De repente recordo-me de Mariinha, minha avó, uma mulher do interior de Minas. Mulher de fibra e garra. Antes de tudo mulher ou seria mulher em construção? A lembrança que vem localiza-se ao redor do fogão a lenha, cheiro de café forte tomando conta da casa. Ela simples, sem muitas palavras, atenta e grande. A casa cheia: filhos, filhas, netos, netas, herança construída de relações e encontros. É esta mulher que me vem ao coração e toca o corpo ao falar de mulheres.

O presente ensaio quer refletir sobre o que significa ser mulher sem a pretensão de encontrar respostas. Não sei ao certo se há uma resposta única. Sei, porém, ao recordar Mariinha, que existem formas diferenciadas de construir história, de ser, tornar-se e fazer-se mulher. De uma coisa tenho certeza: elas se encontram em vários lugares-espaços, estiveram presentes ontem, mesmo que silenciadas, e continuam presentes hoje, ainda muitas vezes silenciadas, mas ensaiando tentativas de tomar a palavra e protagonizar os caminhos. Elas são muitas e poucas, têm nomes e permanecem ocultas, saem de casa e permanecem na casa. Elas transitam por todos os lados e estão presentes por toda parte. Elas se fazem no tempo, construindo-se e construindo histórias. Estiveram muitas vezes no espaço da casa, mas não podemos deixar de reconhecer que aí mesmo fizeram e construíram histórias.

Segundo Philip Abrams, ainda que definidas pelo sexo, as mulheres são algo mais do que uma categoria biológica; elas existem socialmente e compreendem pessoas do sexo feminino de diferentes idades, de diferentes situações familiares, pertencentes a diferentes classes sociais, nações e comunidades; suas vidas são modeladas por diferentes regras sociais e costumes, em um meio no qual se configuram crenças e opiniões decorrentes de estruturas de poder. 

As mulheres têm buscado seu lugar na história, passado e presente, bem como na sua participação e construção, voltando o olhar para o passado mais recente, sem esquecer que as mulheres vêm construindo-se. Durante toda a história encontramos os movimentos feministas que surgem na França a partir do século XIX. Este foi criado por mulheres da classe média que exigiam igualdade de direitos no casamento e acesso às profissões liberais.

Alguns estudos mostram que Christine de Pizan (1365-1430), poetisa, autora e membro da corte de Charles V e Jeanne de Bourbon, respectivamente rei da França e rainha da França, ainda no século XIV defendeu convicções feministas. Aproximadamente seiscentos anos atrás Christine escutou sua própria experiência de mulher e questionou profundamente opiniões que tinha a mulher como um ser inferior. Segundo ela, as mulheres não devem deixar que os homens as definam, mas devem começar por definirem-se a si mesmas.

Nos EUA, no final de 1830, muitas mulheres começaram a levantar suas vozes para combater o status de inferioridade. Estas mulheres participaram ativamente do movimento abolicionista da época.

Elizabeth Cady Stanton (1815-1902), uma ativista abolicionista que chamou a atenção para a forma como eram feitas as construções bíblicas que acabaram contribuindo para a subordinação das mulheres durante séculos. 

A persistência das mulheres foi ganhando espaço e nos EUA as mulheres começam a ter direito de possuir propriedades. Estas mulheres foram abrindo caminhos para posteriormente chegarem ao sufrágio feminino. Em outros lugares vamos tendo notícias de outras conquistas: na Nova Zelândia em 1893 as mulheres têm direito ao voto. No Brasil este reconhecimento só chegou em 1932 no governo de Getúlio Vargas, sendo decretado o direito ao voto para as mulheres em 1934.

Após a Segunda Guerra Mundial houve certo enfraquecimento das lutas feministas e somente na década de 1960 acontece um ressurgimento destas lutas desde uma perspectiva libertadora, a princípio nos EUA e Europa Ocidental. Algumas mulheres como Betty Friedan, Gloria Steinem, Susan Brownmiller e tantas outras começam a lutar pela expansão dos direitos femininos.

No final de 1970, nasce um novo feminismo que chama a atenção para as questões de etnia e classe social. Este movimento surge nos EUA com mulheres negras e visa evidenciar a brancura dos interesses anteriores, ou seja, estes interesses eram baseados numa perspectiva branca.

A partir dos anos 80, começam a surgir tentativas de enfraquecer este processo de luta das mulheres. As desigualdades sociais se ampliam e temos o backlash, que seria um contra-ataque para impedir o progresso das mulheres. Este contra-ataque em grande parte vem de fundamentalistas evangélicos, em suas conexões com a Casa Branca, mas se desenvolve num quadro de desgaste de ideários feministas.

Em contrapartida, grupos e movimentos feministas de várias tendências ressurgem numa organização internacional. Seu nome? Marcha Mundial das Mulheres, que vem exercendo pressões por uma reordenação das pautas de lutas desse novo século. As lutas das mulheres têm entrado em sintonia com as lutas gerais contra desigualdades sociais no mundo neoliberal.

Neste contexto de lutas e buscas estão inseridas mulheres de vários rostos que vêm se fazendo, sendo, tornando-se. Dentre tantas mulheres estão às mulheres inseridas em contexto de prostituição. Elas têm sido mulheres que cotidianamente se constroem em realidade extremante complexas.

A experiência e o trabalho desenvolvido pela Rede Pastoral Oblata em diferentes realidades: Belo Horizonte, São Paulo, Juazeiro, Salvador têm suscitado reflexões acerca desta realidade. O contexto é complexo, diverso e ambíguo. O fator econômico não é o único dado que leva uma mulher em situação de prostituição a vivenciar esta realidade, mas não se pode negar que é um fator relevante. Outro fator importante na reflexão sobre o tema tem sido considerar as relações de gênero que se estabelecem neste contexto. A forte presença do patriarcalismo, assim como relações marcadamente sexistas e discriminatórias são marcos ao discutir este tema. A partir dai surgem perguntas: Que tipo de relações de gênero se estabelece no mundo da prostituição? Como as mulheres se fazem neste contexto? A entrada das mulheres na prostituição se realiza de diversas formas: às vezes as próprias mulheres não sabem o que as esperam, mas outras vezes elas se inserem nesta realidade sabendo do que se trata. Histórias de mulheres que sofreram violências na infância é realidade presente, mas também existem outras situações. Vale ressaltar que falar da prostituição é sempre algo muito complexo e desafiante, pois a realidade está permeada por várias nuances. É a partir dos desdobramentos destas nuances que a reflexão se faz, assim como o acreditar na possibilidade de construções outras, construções que levem em consideração relações de gênero mais saudáveis.

As histórias de vidas destas mulheres com todas suas marcas, assim como a história de tantas mulheres que vêm fazendo história têm mostrado luzes para as perguntas feitas no início deste ensaio. Ser mulher? Tornar-se? Fazer-se? Suas histórias de vida contadas e recontadas nos mostram a força das mulheres na história, a força de vozes que muitas vezes foram silenciadas e a força de mulheres que têm buscado outras construções e alternativas. Busca-se o direito a igualdade e depois se percebe que é preciso alteridade. Busca-se relações sororais e o encontro de mãos que possam se ajudar. Resgata-se a força da solidariedade entre mulheres tantas vezes ocultadas pela ideia de competitividade. Assim, o caminho vai sendo feito. Não está pronto. Não existem respostas prontas. Uma coisa é certa: é preciso recontar as histórias, fazer memórias de nossas antepassadas, buscar nelas e nestas (mulheres do presente) sinais de luzes e sabedoria para seguir o caminho: lutando, apostando, sendo, tornando-se e fazendo-se Mulher.

 

Bibliografia
ABRAMS, Philip: Historical Sociology. Ithaca-New York, Cornell University Press. 1982.
COSTA, Suely Gomes. Movimentos Feministas, feminismos. Estudos Feministas, Florianópolis, 12(N.E.): 264, setembro-dezembro/2004.
PRIORE, Mary Del (org). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2010.

Fernanda Priscila Alves da Silva

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