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Economia Fetichizada e Prostituição

Quando se fala da economia e prostituição, vem à mente de todas as pessoas de bom senso a relação entre a exploração econômica e a prostituição.

          Quando se fala da economia e  prostituição, vem à mente de todas as pessoas de bom senso a relação entre a exploração econômica e a prostituição.  Estamos cansado de saber que a necessidade de sobrevivência leva muitas meninas e mulheres à prostituição. Também não é novidade que em épocas de crise econômica, como a que estamos vivendo hoje, aumenta o contingente de mulheres “que vão para as calçadas” em busca de sobrevivência de si próprias, e de seus. O triste destes momentos de crise é que aumenta a oferta das prostitutas, enquanto cai a procura pelos seus serviços pela falta de dinheiro por parte dos “consumidores”(dito numa linguagem econômica).
          Neste pequeno  texto não quero discutir as questões “quantitativas” da economia, como são os problemas dos salários e do desemprego. Não que  não sejam importantes, mas porque a maioria já está cansada  de ler e discutir sobre isso. Quero abordar pelo lado “qualitativo” do capitalismo.  A influência da forma como as pessoas se relacionam na economia capitalista na sexualidade e, particularmente, na relação de “consumidores” com as prostitutas.
 
 
1. A LÓGICA DO FETICHE
 
          O que caracteriza a sociedade capitalista não é a exploração do homem pelo homem, pois isso já existia nas sociedades pré-capitalistas  e pode existir também nas sociedades pós -capitalista . A especificidade do capitalismo é o predomínio das relações mercantis  na economia. Os produtores não produzem para as necessidades da população, mas para vender no mercado. O que determina a produção não são as necessidades do povo, mas os desejos dos consumidores. Este desejo dos consumidores é manifestado no mercado e as empresas, a partir das pesquisas de mercado, decidem e programa as suas produções.
          O espaço sagrado da economia capitalista é o mercado. É lá que acontece a economia. O bilhete de ingresso no mercado é a mercadoria. Só tem acesso ao mercado quem tem algo para trocar: uma mercadoria ou o dinheiro, que é uma mercadoria especial que serve para trocar com todas as outras. As relações que se estabelecem no mercado não são relações entre pessoas, mas entre as mercadorias. As pessoas que estão por detrás das mercadorias não são importantes. O principal é a capacidade que a minha  mercadoria tem de ser trocada com as outras. Se a minha mercadoria tem muito valor, eu saio vitorioso na troca; senão, eu perco. Se eu não tenho mercadoria, ou a minha mercadoria não encontra nenhuma outra mercadoria para ser trocada, eu não entro em relação no mercado. Eu sou excluído do mercado.
          As mercadorias que são produzidas pelas pessoas passam a Ter uma vida própria no mercado e passam a Ter controle sobre a vida das pessoas. a pessoa vale pelas mercadorias (principalmente o dinheiro) que tem. Não só isso, as pessoas dependem da luta que é travada entre as diversas mercadorias no mercado. Por exemplo, um seringueiro tem a sua vida dependente à luta travada pela borracha natural contra a sintética no mercado internacional. Há uma inversão: as mercadorias passam a Ter uma relação social, enquanto as pessoas têm uma relação material(uma relação intermediada pelas mercadorias). Os verdadeiros sujeitos nesta relação invertida são as mercadorias. É o processo de fetichização. Os sujeitos se tornam objetos e os objetos se tornam sujeitos.
 

2. FETICHE E  RELAÇÕES ABSTRATAS
 
          Estas relações fetichizadas vão formando uma consciência social também fetichizada. As pessoas começam a perceber as suas relações com outras pessoas como algo abstrato. As pessoas concretas, com  os seus desejos, o seu passado, as suas dores e alegrias, suas esperanças, são substituídas por pessoas que são  portadoras de mercadorias. Como as relações humanas são intermediadas por mercadorias, as qualidades concretas das pessoas são “ substituídas” pelas qualidades das mercadorias com as quais elas entram no mercado. As relações entre as pessoas tornam-se cada vez mais abstratas.
          Na relação  com objetos também há conseqüências. Os bens materiais não valem pela sua utilidade, mas sim pelo seu valor econômico. As pessoas  sentem cada vez mais, mais dificuldades em “ curtir”, em sentir prazer, com o uso dos objetos. A tendência é estabelecer uma seleção quantitativa com as mercadorias. Quanto mais, melhor.  Sem se importar com a utilidade ou o prazer que o bem  material oferece no seu uso. O prazer decolou do uso para posse. Entre as pessoas de classe média e alta não se compram mais roupas, mais sim “grifes”. Renova-se guarda-roupas sem mesmo ter usado mais do que uma vez cada peça. É a busca da felicidade e da humanização pelo acúmulo, pela posse insaciável de mercadorias.
          Esta fetichização invade todos os setores da vida humana, até mesmo no campo da afetividade e da sexualidade os homens sabem que para conquistar uma garota precisam algo mais do que sua personalidade. Eles precisam de dinheiro e de outras mercadorias. Sem dinheiro não é possível nem começar uma paquera, por isso custa pelo menos alguns  lanches ou chopes. Isso significa que aquele que não tem  esse dinheiro se percebe como alguém inferior ou incapaz. A visão que se costuma ter de "homem  machão" reflete essa "quantificação" das relações humanas. Homem sexualmente bem sucedido não é aquele que mantém uma relação qualitativamente humanizante e prazerosa, mas aquele que é capaz de “ dar ou fazer n números de vezes”. De bater recordes. É a substituição de companheiro (a), companheirismo, por parceiro(a) sexual. 
          As relações econômicas fetichizadas do capitalismo geram  uma consciência social e relações humanas fetichizadas que transformam relações de pessoas concretas em relações de pessoas abstratas ou as relações qualitativas em relações quantitativas. Essa inversão, perversão, não humaniza as pessoas nem as realiza. Simplesmente produz uma insatisfação que gera ansiedades. Ansiedades por mais consumo, de bens de “ pessoas abstratas”, pessoas mercantilizadas. Isto porque a consciência fetichizada percebe a sua insatisfação como fruto de um consumo não suficiente. Não percebe que está num caminho errado. Continua buscando a sua realização humana no consumo, indo em direção a um poço sem fundo.
 

3. FETICHIZAÇÃO E A PROSTITUIÇÃO

          A relação que a sociedade, e os homens de “ bem” que utilizam os seus serviços, mantém com as prostitutas é o ápice da fetichização no campo afetivo e sexual. A mulher prostituta desaparece completamente atrás da sua mercadoria ( o serviço sexual) e é identificada com o seu corpo à venda. Na verdade a mercadoria que a prostituta oferece não é o seu corpo, mas sim o seu serviço sexual. O seu corpo é apenas um instrumento da sua atividade profissional. Isto fica claro, por exemplo,  quando um cliente  pede apenas “ um sexo oral”. O cliente não tem à sua disposição  todo o corpo da prostituta, mas apenas as partes necessárias do corpo para execução de serviços. Entretanto, a sociedade e os clientes só as  vêem como prostitutas em sua totalidade. Não percebem que existem pessoas concretas por detrás das ‘ profissionais”. A relação que mantém com elas é uma relação puramente mercantil, onde não há espaço para nenhuma relação humana concreta. Duas pessoas se encontram de uma forma totalmente abstrata, onde uma busca consumir  e outra oferece serviços  sexuais. 
          Os clientes em sua maioria, não buscam pessoas, mas sim mercadorias que satisfazem os seus desejos pela posse, não pelo prazer do encontro e da relação. Eu digo” maioria” porque sabemos que existe pessoas solitárias, principalmente operários migrantes  que buscam nas prostitutas  um pouco do calor humano que não encontram  nas suas vidas. Mas também sabemos como estas buscas tendem a ser frustrantes porque são buscadas em relações viciadas  pela fetichização mercantil.
 
 
4. FETICHIZAÇÃO E A CULPABILIDADE DAS VÍTIMAS

          A inversão provocada pela fetichização  tem mais uma conseqüência. As vítimas  das relações desumanas aparecem como culpadas. È incrível como se repetem estas coisas na história. Os pobres são culpabilizados pelos seus sofrimentos, as prostitutas  são acusadas de “imorais”, “vagabundas”, “mulheres de vida fácil” ( o cúmulo da inversão). Este assunto mereceria muitas linhas para aprofundamento mas não temos espaço suficiente neste pequeno texto. 
          O que podemos  dizer como conclusão é que a construção de um mundo humano e justo começa pela defesa da inocência das vítimas. E neste caso, a inocência das prostitutas, que antes.... vítimas de um sistema que as exclui e as transforma em simples mercadorias. Reconhecer a humanidade das prostitutas é ver o “ invisível”. O olhar do mundo é incapaz de ver pessoas por trás das prostitutas.. Só quem tem “fé”, em Deus de Jesus ou na humanidade , é capaz de ver o invisível.
          Para muitos, o trabalho com e em favor das “ mulheres marginalizadas” não é revolucionário  porque não tinge as estruturas políticas. Isso é um grande equívoco. A defesa da vida e da dignidade das prostitutas é um ataque frontal  à consciência social fetichizada do capitalismo. Não haverá  uma verdadeira transformação do capitalismo   se não transformamos esta consciência em uma consciência verdadeiramente humana. Mas, não podemos também esquecer que esta consciência fetichizada só será radicalmente transformada na medida em alterarmos radicalmente as relações econômicas baseadas no fetiche da mercadoria. E somente esta transformação no campo econômico possibilitará às prostitutas  condições materiais para a sua libertação total.
 
Neste ano de 1991, além de dificuldades econômicas, o Mulher Libertação está assumindo uma linha de reflexão sobre o tema “Causas da Prostituição” , como foi pedido pela base pela base e agentes da Pastoral da Mulher Marginalizada em seu 8 º   Encontro Nacional ,Coronel Fabriciano, julho de 1990
Abordaremos durante nossas edições de 1991 a questão da Economia, Sexualidade e Prostituição, procurando levar ao leitor um aprofundamento da temática através de artigos escritos por  estudiosos que se comprometem com a causa da mulher.
O autor: Jung Mo Sung –teólogo leigo, professor da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção -Carmo

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